A mamografia ainda é a forma mais eficaz de detectar precocemente alterações nos seios capazes de gerar um câncer - até mesmo as que, de tão pequenas, passam despercebidas no autoexame. Mas o melhor método também falha: nem sempre a imagem é nítida o suficiente para mostrar essas lesões. Em geral, uma em cada dez mulheres precisa repetir a mamografia, uma espécie de radiografia das mamas.

A solução parece surgir agora com uma nova versão dessa técnica, a mamografia digital, que chegou recentemente ao Brasil e ainda é pouco utilizada no país. Na mamografia digital, feixes de raios X atravessam a mama e atingem um detector que os transformam em sinais elétricos, transmitidos a um computador. Já no método tradicional, a radiação deixa impressa a imagem do seio em um filme.

Um estudo realizado na Unifesp comparou o desempenho dessas duas técnicas e constatou: a mamografia digital detecta de forma mais precisa as lesões menores (com menos de um milímetro) e mais difíceis de serem observadas por aparecem com pouco contraste - quase sempre a diferença entre o tecido sadio e o doente é muito sutil. A radiologista Andréa de Freitas chegou a essa conclusão depois de confrontar os resultados de 236 imagens geradas com o uso de três peças de acrílico que simulam uma mama.

No interior dessas peças, chamadas de simuladores, pontos representavam alterações que podem surgir nos seios das mulheres, como nódulos, fibras e microcalcificações. Duas especialistas analisaram independentemente as imagens em dois aparelhos de mamografia convencional e um digital. Andréa comparou o índice de acertos e reuniu os dados da pesquisa, tema de sua tese de doutorado.

O grau de detecção de minúsculas estruturas conhecidas como microcalcificações ilustra bem a diferença entre a mamografia digital e a tradicional (veja quadro). Ao utilizar uma das peças que distribuía aleatoriamente microcalcificações de 0,20 milímetros, a mamografia digital identificou 20% das alterações em mamas de tamanho padrão (quando comprimida tem cerca de quatro centímetros). Já os dois aparelhos convencionais não conseguiram detectar nenhuma lesão.

A microcalcificação é o acúmulo de cálcio nas células da mama. Essas alterações, presentes em torno de 35% das mamografias, podem ser benignas ou indício de câncer. "Detectá-las o mais cedo possível é importante porque em média 70% dos casos de câncer de mama nos estágios iniciais surgem como microcalcificações", explica Cláudio Kemp, coordenador do Setor de Diagnóstico por Imagem em Mastologia da Unifesp e orientador da pesquisa.

Outro mérito da nova técnica é agilidade. Segundo Andréa, com a mamografia digital, a imagem fica pronta em apenas cinco segundos e é possível melhorá-la no próprio monitor - aumentando-a ou alterando o contraste - sem depender da presença da mulher que se submete ao exame. O resultado disso é um diagnóstico mais rápido e preciso. Na mamografia convencional, o filme leva cerca de três minutos para ser revelado e, no caso de a imagem não ficar nítida, é preciso chamar a paciente novamente.

Embora as chances de cura do câncer de mama sejam altas se for descoberto a tempo, mais da metade dos casos são diagnosticados em estágios muitos avançados. A melhor estratégia para prevenção e controle é a detecção precoce, por meio de exame clínico e mamografia anual, indicados a partir dos 40 anos. Mulheres com histórico familiar da doença devem fazer os exames a partir dos 35 anos. "Com esta medida, a taxa de mortalidade pode ser diminuída em 20% no Brasil [a estimativa de 2003 era de 10,4 óbitos a cada 100 mil mulheres]", segundo a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer, Gulnar Azevedo.

 

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